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O Piauí, localizado no Nordeste do país, é o estado
litorâneo com menor extensão de costa, apenas 66 km. Esse pequeno trecho, porém, é
privilegiado. Na fronteira com o Maranhão, a oeste, fica o Delta do Rio Parnaíba, o
único em mar aberto das Américas. Seu ecossistema lembra o da Amazônia, com inúmeras
ilhas, lagoas, igarapés e praias de areia fina, tomadas por dunas e coqueiros. Mas a
maior parte do território piauiense está sob a ação do clima semi-árido. E Teresina,
às margens do Rio Parnaíba, é a única das capitais nordestinas que não está
localizada à beira-mar. Isso se deve à colonização. Ao contrário do resto do
Nordeste, o estado foi ocupado do interior para o litoral. Em toda essa região predomina
o clima semi-árido, com longos períodos de seca e vegetação de caatinga . Essas
condições climáticas reforçam uma economia baseada na agricultura de subsistência, na
criação extensiva de gado, feita em grandes latifúndios, e no extrativismo de carnaúba
e babaçu . Além disso, a indústria é quase inexistente. Mas a caatinga também é
lugar de descobertas científicas. Escavações realizadas nos sítios arqueológicos do
Parque Nacional da Serra da Capivara, no sudeste do estado, considerado Patrimônio
Cultural da Humanidade pela Unesco, provam que o homem surgiu no continente americano há
mais tempo do que se pensava. No Parque Nacional das Sete Cidades, pode-se observar
formações rochosas de cerca de 400 milhões de anos e pinturas pré-históricas. FATOS
HISTÓRICOS - Só a partir de meados do século XVII o Piauí começa a ser efetivamente
ocupado. Antes disso, seu território tinha sido percorrido por algumas expedições
oficiais, sem maiores conseqüências. A ocupação dá-se, basicamente, pelo avanço da
pecuária, em correntes vindas do Maranhão, cruzando os vales do Itapicuru e do Poti; do
Ceará, por meio da Serra de Ibiapaba; e da Bahia, subindo desde o São Francisco pelo
sertão do Cabrobó. Combatendo ou eliminando os grupos indígenas mais hostis, como os
tremembés, e avançando com seus currais de gado ao longo dos rios Piauí, Canindé e
Parnaíba, Bandeirantes e colonos instalam os primeiros povoados na região. O Piauí
separa-se do Maranhão e torna-se capitania em 1811. Já tinha centenas de fazendas de
gado e mais de uma dezena de vilas consolidadas. Para garantir essa autonomia, os
piauienses aderem à Independência e enfrentam as forças portuguesas, ao lado de
maranhenses e cearenses, até 1823. Na década seguinte, a província do Piauí é
novamente atingida por uma insurreição, desta vez de caráter social e popular, a
Balaiada. Na segunda metade do século XIX, com a capital provincial já instalada em
Teresina (1852), o Piauí atravessa um longo período de relativa estabilidade política,
mas também de pouco crescimento econômico, em parte devido à permanência da pecuária
tradicional, extensiva, e ao predomínio das oligarquias rurais, facilitado pelo próprio
isolamento do estado, que a construção de uma ferrovia e de uma companhia de navegação
a vapor no Rio Parnaíba não consegue romper inteiramente. Pobreza crônica - Esse quadro
não se altera substancialmente no período republicano. Com uma economia ainda limitada
à agropecuária, extensiva e pouco produtiva, e a uma pequena indústria de
transformação, como a da cera de carnaúba, o Piauí mantém-se como um dos estados mais
pobres do país, apesar da relativa estabilização populacional, do equilíbrio entre
população rural e urbana e da densidade demográfica baixa para os padrões regionais.
Somente nas três últimas décadas, com recursos provenientes dos incentivos fiscais, é
que o estado avança em projetos de agricultura irrigada - como o plantio de arroz nos
cerrados -, no aumento da geração de energia, na construção de novas rodovias e na
melhoria da infra-estrutura urbana.