O Autor

Meu nome é César Barros e apesar de não ter nascido em Óbidos, e sim em Belém, é por aquela por quem tenho maior paixão. Formei-me em Arquitetura e Urbanismo pela UFPA, em 1996, lá estudando disciplinas como Restauração e Preservação do Patrimônio Histórico, passando, a partir daí, a constatar ainda mais que o nosso Patrimônio Cultural (conjunto de elementos naturais, científicos e culturais que compõem o ecossistema do homem) estava sendo deixado de lado, numa cidade extraordinária, com paisagens belíssimas, com prédios que, se não são dignos de nota vistos sob a ótica da arte pura, estão vinculados a fatos memoráveis, como o forte de Óbidos, ou então tem significação cultural e humana adquiridos no decorrer do tempo. Este Site também tem este propósito, o de alertar para a conservação não só das edificações isoladas, mas também os conjuntos urbanos, a "moldura" no qual ela está inserida, tornando-se uma cidade preservada e, consequentemente, humanizada.
César Barros
 

Óbidos é uma cidade privilegiada, pois além de sua história possui uma natureza exuberante à sua volta: o rio Amazonas, com suas águas barrentas e profundas; suas praias de rio, propícias ao lazer; a serra da Escama e o rio Curuçambá, de águas transparentes e gélidas. Falta apenas que a população e seus dirigentes tomem consciência da necessidade de preservação e iniciem ações de apoio ao turismo, um dos setores que mais crescem no mundo. Claro que de forma planejada, organizada e exequível, pois sem isso vamos apenas dar-lhes uma péssima impressão, quando o objetivo é justamente o contrário: tornar sua estada aprazível para que ele retorne posteriormente com seus amigos.

Para termos esta iniciativa, devemos esquecer um mal que não é somente dos obidenses, mas dos brasileiros em geral: o de perdedores ou a conhecida fracassomania. Pessoas que acham que porque estão na Amazônia estão sempre atrasadas em relação a tudo ou que não será efetuado um trabalho bem-feito. Devemos lembrar que um trabalho exemplar demanda tempo e esforço e não é conseguido com pessoas sem entusiasmo, sem visão do futuro e sem solidariedade. Não há qualquer diferença entre o que somos capazes de fazer e as pessoas do outro lado do mundo, então vamos acreditar QUE PODEMOS FAZER E BEM FEITO.

Com um trabalho sistemático que procure ensinar aos cidadãos as vantagens da preservação, tanto arquitetônica quanto ambiental, estaremos dando o passo inicial para uma sociedade que respeita sua história e a natureza. É uma tarefa difícil, mas não impossível. O foco principal deve ser as crianças, pois são mais receptivas ao conhecimento novo e no futuro poderão fazer mais coisas pela cidade, partindo-se do pressuposto de que quando adultas estarão mais conscientes e estarão mais bem preparadas para lidar com o Patrimônio lhes legado.

Assim, há objetivos de curto, médio e longo prazo. Os de curto poderiam ser conseguidos com cursos para a população, incentivados pelo governo Municipal aliado ao setor privado, para que aprendam sobre a história de Óbidos, seus monumentos, sua importância e como preservar as suas fachadas, mantendo as características originais. Os de médio prazo seriam projetos de Restauração das obras mais significativas, achando-se um uso para elas, de acordo com a nossa época, para que se revitalizem. Também estariam incluídos os projetos de apoio ao turismo, com cursos que atendam a vocação da cidade, e da execução de um Plano Diretor, garantido pela Constituição. Os de longo prazo estariam representados na Educação das crianças. Esse, sem dúvida, um dos que poderiam trazer resultados mais extensos e duradouros.

Então, pensando-se a cidade como um todo, como um sistema, e não como partes isoladas, uma mudança aparentemente insignificante aqui poderia mudar ali, para melhor. Basta ter vontade política, organização e planejamento para se iniciar o que poderia vir a ser um exemplo para outras cidades.


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