Arquitetura -  1.ª parte

Devido ao isolamento de Óbidos, até há pouco tempo acessível unicamente por via fluvial, e o desenvolvimento que teve, baseado no surgimento de novos núcleos urbanos na periferia do núcleo central, não induziram à reformulação do centro histórico da cidade.

O inventário e levantamento de imóveis da área central, feitos em 1987, constataram uma certa uniformidade nos partidos arquitetônicos e a repetida utilização de alguns padrões construtivos. No centro urbano os lotes mantêm uma quase padronizada dimensão de 10 m de testada, variando somente a medida de profundidade. Nos lotes que se aproximam desta medida padrão o partido arquitetônico mais frequente tem somente quatro ambientes (fig. 1) no corpo principal da casa: uma sala de estar, normalmente acanhada e com poucos móveis; um quarto de dormir bastante amplo e dois ambiente menores que podiam ser usados como depósitos, áreas de trabalho ou, eventualmente, como dormitórios individuais, raro luxo na região.

Destacam-se do padrão corrente alguns casos de casas mais elaboradas, datáveis do séc. XIX, possivelmente da segunda metade do século ao início do século XX. São estes os casarões do porto, alguns sobrados com detalhes de acabamento em massa, e uma ou outra residência no centro urbano, cuja implantação enseja o aparecimento de jardim lateral.

A repetição de plantas de casas (fig. 2) e a padronização do tamanho de lotes na área central de Óbidos levantam muitas hipóteses para a datação das construções predominantes e, principalmente, sobre o modelo no qual teriam se baseado e como teria se dado sua transposição.

Segundo Carlos Lemos (1989), um estudo da casa brasileira levaria às raízes ibéricas, principalmente a Portugal. O mesmo autor reconhece vínculos com a oca indígena e compromissos com a África e Oriente. Lemos salienta, ainda, que nossa velha casa patriarcal não pode ser imaginada sem a presença do escravo solícito.

O norte do país apresenta diferenças significativas na colonização, no clima e, principalmente, na presença negra. Parece imprescindível neste caso que uma primeira aproximação para o estabelecimento do que seria a casa colonial nortista parta dos seus habitantes e prováveis construtores

 


Fig. 1
Planta padrão - fig. 1

Fig. 2
Planta padrão - fig. 2

 

Casa com jardim lateral

 

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